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sábado, 22 de setembro de 2007

As vezes se pune o corrupto,mas o corruptor fica blindado

Valor Econômico
Duas coincidências que exigem atenção
Rosângela Bittar

Fazer ou reproduzir insinuações, não é este o objetivo, como se verá. Muito menos trata-se de apresentar denúncia concreta. Pretende-se, tão somente, chamar a atenção sobre a maneira como vêm surgindo elementos, e se delineando, com preocupante nitidez, coincidências que nos levam a vislumbrar a possibilidade de estar sendo erguido um novo mensalão na estrutura do governo Lula.
Depois do protagonismo do PT neste tipo de operação, seguido agora da investigação sobre como se deu o mensalão do PSDB de Minas Gerais, objeto da próxima denúncia, que promete ser arrasadora, do Procurador Geral da República, os dados da realidade conduzem à existência do risco de gestação de um novo esquema, desta vez exclusivo do PMDB.
Já existe a denúncia - a quarta - contra Renan Calheiros, ainda não investigada no Conselho de Ética, feita pelo ex-genro de um lobista amigo do senador (outro), pai de assessora do presidente do Senado.
O depoimento do ex-genro à polícia revela atuação de Calheiros junto a ministérios capitaneados pelo PMDB. É do conhecimento público o que os partidos políticos querem com esta ocupação da máquina pública, por que brigam pelos cargos: o exercício do poder de nomear e de canalizar recursos públicos para as finalidades de sua escolha pessoal. Na ação de Renan, foram citados o Ministério da Previdência, conduzido à época por Romero Jucá, um dos principais integrantes da atual tropa de choque de Calheiros, e a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), conduzida por Paulo Lustosa, uma indicação do senador para mais este posto onde o partido estabeleceu seus comandos.
Este caso mostra que o PMDB vem urdindo um esquema seu, independente de outros partidos governistas, e talvez seja a razão de ter aparecido tão pouco no mensalão do PT. Só o deputado José Borba, que foi líder do partido, expôs-se às denúncias de 2005, para surpresa geral.
Agora, uma segunda coincidência ocorre no mesmo local do crime anterior (ECT) e com a mesma estrutura de canalização de verbas (agências de publicidade), deixando inúmeras dúvidas em torno de uma licitação para escolha de agências de propaganda que servirão à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Três agências vencedoras da licitação dos Correios há dois meses, aberta por volta de julho, foram desclassificadas na análise dos recursos das perdedoras um mês depois, quando três outras diferentes agências sairam vencedoras. Entre estas, está a agência que fez a campanha do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), em Minas Gerais, a autoridade do governo que tem ascendência sobre os Correios.
Minas Gerais, agência de propaganda da campanha eleitoral, Correios e PMDB: personagens que coincidem em gênero, número e grau com os do mensalão do PT
. Só muda o nome da agência de publicidade. À primeira vista, parece estar o PMDB abusando da sorte de ter escapado até este momento da devastação nos partidos. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer, acha exagero enxergar, nas duas coincidências, riscos de mensalão. Para ele, mensalão é o pagamento mensal a parlamentares para que prestem determinados serviços ao governo, um conceito restrito, que já foi derrubado há muito tempo pela CPI dos Correios, pela Polícia Federal, a Procuradoria Geral e o Supremo Tribunal Federal.
Convém ao PMDB não abusar da sorte
Mensalão está há muito definido como o sistema de canalização de dinheiro público, via agências de publicidade ou diretamente, para políticos e partidos, sejam verbas para campanhas eleitorais ou para uso pessoal do contemplado.
"Confesso que estou afastado, não tenho a menor relação com os diretores que estão nos Correios, não conheço esse processo licitatório, acho que vai dar demanda judicial, e é bom que dê, para esclarecer este assunto e evitar ilações mais do que naturais que têm sido feitas", afirma Temer.
Quanto à denúncia contra Renan por manipulação de verbas de ministérios comandados pelo PMDB, Temer assinala que ela se limita à Funasa e ao Ministério da Previdência, no passado, e o então ministro, Romero Jucá, foi até afastado, embora tenha ganho a função de líder do governo no Senado.
A rigor, o atual presidente do PMDB, à época citado na denúncia, não estava ainda, como agora, na base aliada do presidente Lula.
E com a perda de substância política do presidente do Senado, Renan Calheiros, e da tropa pemedebista que o ajudou a se salvar, a importância de Temer e do grupo da Câmara, como interlocutores do governo no PMDB, que já vinha crescendo desde a eleição para a presidência do partido - vencendo exatamente os senadores -- chegou agora ao ápice.
Curioso que a derrocada de Renan não tenha atingido o PMDB mais do que o partido já é naturalmente desacreditado.
Os que integraram seu batalhão de defesa - Wellington Salgado, Leomar Quintanilha, Almeida Lima, Romero Jucá - , desgastaram-se pessoalmente tanto quanto se desgastaram os petistas que também salvaram Calheiros. Nas suas piores performances, Salgado, por exemplo, não era visto como um senador pemedebista, mas como um senador suplente, a quem interessava salvar a própria pele, mantendo-se no cargo, que ocupa por obra e graça de Renan, que indicou o ministro Hélio Costa, o titular, para o Ministério das Comunicações.
O mundo é redondo, inclusive o do PMDB, mas Michel Temer diz que a cúpula partidária manteve-se discreta durante todo o processo porque este foi realmente personalizado. "Com relação a Renan, tudo o que pedimos foi que fosse feito um julgamento justo, nada mais", disse Temer.
O presidente do PMDB deve ter razão. Parlamentares que foram aos estados após a absolvição do presidente do Senado e voltaram esta semana disseram ter visto muitas pedras serem atiradas em Renan, mas nenhuma ao PMDB.
Exatamente porque vem escapando de todas é que o PMDB deveria dar atenção especial aos elementos que acendem sinais de perigo nas capitanias do partido no governo.


Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O que ensinam às nossas crianças, na rede pública




O que ensinam às nossas crianças .
Ali Kamel

Não vou importunar o leitor com teorias sobre Gramsci, hegemonia, nada disso. Ao fim da leitura, tenho certeza de que todos vão entender o que se está fazendo com as nossas crianças e com que objetivo. O psicanalista Francisco Daudt me fez chegar às mãos o livro didático "Nova História Crítica, 8ª série" distribuído gratuitamente pelo MEC a 750 mil alunos da rede pública. O que ele leu ali é de dar medo. Apenas uma tentativa de fazer nossas crianças acreditarem que o capitalismo é mau e que a solução de todos os problemas é o socialismo, que só fracassou até aqui por culpa de burocratas autoritários. Impossível contar tudo o que há no livro. Por isso, cito apenas alguns trechos.
Sobre o que é hoje o capitalismo: "Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários."
Sobre o ideal marxista: "Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores."
Sobre Mao Tse-tung: "Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador."
Sobre a Revolução Cultural Chinesa: "Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (...) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (...) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (...) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes 'politicamente esclerosados'. (...) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: 'Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.' As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo."
Sobre a Revolução Cubana e o paredão: "A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular."
Sobre as primeiras medidas de Fidel: "O governo decretou que os aluguéis deveriam ser reduzidos em 50%, os livros escolares e os remédios, em 25%." Essas medidas eram justificadas assim: "Ninguém possui o direito de enriquecer com as necessidades vitais do povo de ter moradia, educação e saúde."
Sobre o futuro de Cuba, após as dificuldades enfrentadas, segundo o livro, pela oposição implacável dos EUA e o fim da ajuda da URSS: "Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (...) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?"
Sobre os motivos da derrocada da URSS: "É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (...) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas...
Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (...) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (...) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (...) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?"
Esses são apenas alguns poucos exemplos. Há muito mais. De que forma nossas crianças poderão saber que Mao foi um assassino frio de multidões? Que a Revolução Cultural foi uma das maiores insanidades que o mundo presenciou, levando à morte de milhões? Que Cuba é responsável pelos seus fracassos e que o paredão levou à morte, em julgamentos sumários, não torturadores, mas milhares de oponentes do novo regime? E que a URSS não desabou por sentimentos de inveja, mas porque o socialismo real, uma ditadura que esmaga o indivíduo, provou-se não um sonho, mas apenas um pesadelo?
Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos.
É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém.

Ali Kamel é sociólogo, jornalista, escritor e editor-executivo da Central Globo de Jornalismo
(autor dos livros "Sobre o Islã: a afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo" e "Não somos racistas")

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Para Lula, os narco-traficantes são chefes de estado

Lula quer recepcionar os narco-traficantes das FARCs - VEJAM. Depois de ter dado proteção ao tal padre narco-traficante embaixador das FARCs, agora, Lula quer receber oficialmente os altos dirigentes do narco-tráfico. É a consagração do crime organizado. Só falta agendar a reunião oficial dos traficantes internacionais com o MST. Fernandinho Beira-Mar, que integrava as FARCs quando foi preso, precisa participar do encontro histórico e pedir para se filiar ao PT. Se algum brasileiro acreditou, um dia, que Lula iria combater o crime organizado que inferniza a vida dos cidadãos honestos e trabalhadores, perca tal ilusão. Para Lula, os narco-traficantes são chefes de estado - o estado do crime internacional.

20/09/2007 - 01h37
Lula vai oferecer Brasil para reunião entre Chávez e as Farc
Brasília, 19 set (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai sugerir nesta quinta-feira ao seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, que considere o Brasil como possível sede para um encontro com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), anunciou hoje o porta-voz presidencial.O porta-voz oficial Marcelo Baumbach revelou detalhes da reunião entre Lula, Chávez e o presidente equatoriano, Rafael Correa, nesta quinta-feira, em Manaus. Ele afirmou que o Brasil se oferecerá como sede para as negociações sobre a libertação de 45 reféns das Farc.Baumbach antecipou que o Governo brasileiro "já ofereceu a possibilidade de um encontro entre as Farc e Chávez em território brasileiro"."O presidente Lula apóia o esforço de mediação do presidente Chávez e confia nele Chávez como mediador", acrescentou.Chávez, após uma recente reunião com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, assumiu o papel de mediador entre o Governo da Colômbia e as Farc.O líder máximo da guerrilha, Pedro Antonio Marín, conhecido pelos pseudônimos de Manuel Marulanda e Tirofijo, aceitaria um encontro com Chávez em território colombiano. Mas Uribe é contrário à idéia e exige que a reunião se realize no exterior.O governante venezuelano se reunirá com o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, no dia 8 de outubro, provavelmente em Caracas, segundo a senadora colombiana Piedad Córdoba.Em Manaus, Lula, Chávez e Correa discutirão projetos de integração regional no setor energético, a criação do Banco do Sul e a adesão da Venezuela ao Mercosul, que enfrenta oposição no Congresso.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Direito à Memória e à Verdade


19-9-2007 Produzido pela editoria do site http://www.averdadesufocada.com/ocada.com
Visite nosso site e deixe o seu comentário a respeito desse assunto.

Vamos começar, a pedido dos visitantes do nosso site, a fazer uma análise do livro publicado pela Secretaria dos Direitos Humanos e lançado no Palácio do Planalto, com pompa e circunstância, como livro oficial, com discursos, alguns inflamados, revanchistas, como o de Marcos Antônio Rodrigues Barbosa; alguns ameaçadores, como o do Ministro da Defesa Nelson Jobim; alguns que não acrescentaram nada, como o do presidente Lula e um muito emocionante, o da senhora Elzita Santos de Santa Cruz Oliveira, que tem um filho entre os 136 desaparecidos.

Voltemos no tempo. Em 1999, Carlos Tibúrcio e Nilmário Miranda publicaram o livro Dos filhos desse solo - Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado.Nilmário Miranda, quando da publicação do livro, era da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e, nas décadas de 60 e 70, militou na organização clandestina Política Operária - POLOP. Os crimes praticados durante sua ativa militância na organização subversivo-terrorista o levaram à prisão por três anos. Carlos Tibúrcio foi dirigente da Polop e durante “os anos de chumbo” militou no Partido Operário Comunista - POC-, organização também clandestina. Esteve preso por dois anos, de 1973 a 1975, em São Paulo. Na época da publicação do livro, era dirigente do grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo.O projeto do livro contou ainda com outros militantes e simpatizantes da causa, a saber:Capa e projeto: Alípio de Freitas, ex-padre, membro ativo da Ação Popular - AP, na luta armada, com curso em Cuba e, segundo Jacob Gorender, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), mentor do atentado à bomba, no Aeroporto de Guararapes, em Recife, que matou duas pessoas e deixou 13 feridos.Também participou do projeto Luiz Dulci, trotskista da OSI - Organização Socialista Internacionalista (LIBELU-Liberdade e Luta), então presidente da Fundação Perseu Abramo, instituída pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores em maio de 1996 e um dos fundadores do PT.O livro atual, Direito à Memória e à Verdade, que, inicialmente, segundo a mídia, será distribuído para bibliotecas, escolas e organizações ligadas aos direitos humanos, teve o patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás. A iniciativa de sua publicação foi da Secretaria de Direitos Humanos, que tem como ministro Paulo Vanucchi, ativo militante da ALN, nos “anos de chumbo”, uma das organizações mais violentas. A elaboração, distribuição e informações são de responsabilidade da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos. Políticos que assim constituída:Marcos Antônio Rodrigues Barbosa, presidente;Pedro Wilson, Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados;Belisário dos Santos Júnior, representante da sociedade civil.Diva Soares Santana, representante dos familiares dos mortos. Maria Eliane Menezes de Farias, representante do Ministério Público Federal.Coronel João Batista Fagundes, representante das Forças Armadas e, Augustinho Veit. No livro, os agradecimentos a familiares dos mortos, a militantes vivos e a pessoas ligadas à causa são inúmeros.Dois dias antes do lançamento, já tínhamos em mãos um CD, com o teor do mesmo. Comparando os dois livros, são mínimas as diferenças, tanto na apresentação, como nos temas propostos. Todos os mortos são apresentados como heróis, jovens idealistas, desarmados e inocentes, que lutavam para libertar o Brasil de uma ditadura militar sanguinária e que foram covardemente torturados e massacrados sob a responsabilidade do Estado.Os dois livros distorcem a história, omitem qual era o verdadeiro objetivo da luta armada e quando ela começou. Omitem que desde 1935 eles tentavam implantar uma ditadura comunista no Brasil. Derrotados em 1935, vieram com força total, treinados, já a partir de 1961 para tentar realizar o velho sonho, acalentado até os dias de hoje.Para confirmar o que omitem, nada melhor do que Daniel Aarão Reis, hoje professor de História Contemporânea na UFF, um dos 40 militantes banidos para a Argélia em 15 de junho de 1970 em troca do embaixador da Alemanha, que assume a coragem de proclamar que a esquerda havia decidido dar um golpe para implantar a ditadura do proletariado no Brasil, no início dos anos sessenta e que já preparavam militantes, enviando-os para curso de guerrilha em Cuba, China e União Soviética, desde 1961. Depoimento semelhante foi dado à TVE por Anita Leocádia, filha de Luiz Carlos Prestes, que, ao ser entrevistada, expôs, de forma clara, convicta e com total independência, que os partidos comunistas, vinculados ao PCUS e aos demais partidos da internacional socialista, estavam com todo o planejamento pronto para a tomada do poder no Brasil, em 1964, no que foram impedidos pela Contra-Revolução de 31 de março.Estas informações transmitidas, numa confissão espontânea por dois quadros da estatura hierárquica que tem Daniel Aarão Reis e Anita Leocádia, dão indiscutível legitimidade à divulgação da verdade a que todos temos o direito de saber, mas que os livros omitem. Cremos não haver caminho melhor do que este para colocar a história no seu verdadeiro curso e, assim, denunciar a tão conhecida parcela da esquerda corrupta que, fugindo dos verdadeiros fatos históricos, em busca de vantagens pessoais, distorce a realidade.O livro omite os atos criminosos praticados pelos militantes mortos, como: arruaças nas ruas, sabotagens, atentados a bomba, seqüestros e assassinatos. Omite que pegaram em armas ou, quando muito, admite seu uso, como um ato desesperado, um heroísmo extremo, em “defesa da liberdade democrática”.Se queriam um livro, que trouxesse à tona a verdade, não deveriam omitir a motivação da luta armada, os crimes cometidos por eles e apresentar com provas as causas das mortes dos subversivos e terroristas.
Deveriam também relacionar os 120 mortos por eles assassinados.
. Os próprios autores, Nilmário e Tibúrcio,“conheceram as crueldades dos cárceres da ditadura militar, mas não esmoreceram um instante sequer, dedicando suas vidas à recuperação da memória daqueles tempos execráveis.” Ainda o trecho do prefácio diz, sobre Nilmário: “Lá como aqui pôde contribuir para o restabelecimento do Estado de Direito democrático. Não esqueceu, por um momento sequer, os companheiros que tombaram diante do poder militar. Nunca se atemorizou e na Câmara dos Deputados desenvolveu notável trabalho em prol dos direitos humanos, voltando suas atividades para recuperação da memória de quantos foram eliminados pelas forças de segurança do Estado.”Nilmário não lembrou, em nenhum momento, aliás, como qualquer dirigente dos Direitos Humanos, de nenhuma das 120 vítimas dos “jovens defensores da liberdade”- também filhos desse solo.Nas relações existentes, organizadas por ONGs de esquerda, o número de mortos e desaparecidos é variável. O Dossiê de Mortos e Desaparecidos Políticos relaciona 296; o Grupo Tortura Nunca Mais lista 358; perante a Comissão criada pela Lei 9.140, até 1996, foram protocolados 360 pedidos de indenização. Tais diferenças, associadas aos critérios subjetivos apresentados pelos responsáveis pelas relações, não nos permitem concluir, com alguma precisão, quanto ao número de mortos pela ação dos órgãos de segurança do Estado.Existem casos listados de mortos em confrontos com os órgãos de segurança; escaramuças de rua, balas perdidas, atropelamentos, etc -, casos de “justiçamentos” pelos próprios companheiros; disparos acidentais por armas portadas pela vítima; casos de mortes por explosões, ao portarem ou manusearem explosivos; casos de acidentes de trânsito; casos de conflitos agrários; casos de câncer; oito falecimentos no exterior; e 13 desaparecimentos no Chile, na Bolívia e na Argentina que, inegavelmente, são impossíveis de atribuir-se responsabilidade ao Estado.Dos filhos desse solo lista 420 nomes, sendo que um, Wlademiro Jorge Filho, está ou estava vivo na época e, mesmo assim, a família foi indenizada. Desses 420, retirando o reconhecidamente vivo, pelo autor, restam 419, dos quais eles ainda retiram 23, como não sendo enquadrados como morte por motivação política, restando, portanto, 386.A apresentação dos nomes, os pedidos de indenização e as versões dos interessados, para justificar as mortes como de responsabilidade do Estado, são relacionadas por organização.No livro de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio eles apresentam as versões oficiais e as versões apresentadas perante a Comissão de indenização. O livro Direito à memória e à verdade, cita 475 casos, 55 a mais do que o primeiro. Estão relacionados inclusive mortos durante o período de 1961 a 1988 . Segundo o livro, para prova perante a Comissão Especial de Anistia, foram tomados “por base depoimentos de ex-presos políticos, advogados, de agentes do Estado e pessoas envolvidas no processo de repressão, bem como analisando reportagens de imprensa”.O revanchismo e o ódio existente dessas comissões fazem com que se considere a morte de um terrorista em tiroteio como se fosse de responsabilidade do Estado. Aceitam como prova para conceder a indenização o fato de um morto estar de japona e, 30 anos depois, a Comissão de Justiça e Paz, chegar à conclusão que, em São Paulo, não estava frio suficiente e que, portanto, a peça só poderia ter sido usada para encobrir as marcas de tortura. Existem casos de mortos, acidentalmente, por companheiros; outros mortos em explosão do carro em que transportavam explosivos; um caso de morto por câncer, cinco anos depois de libertado. A lista retrocede a 1950 (há uma morta, militante do PCB, relacionada nesse ano) e outros mortos até 1988, totalizando os 475 enumerados como de responsabilidade da “sanguinária repressão da ditadura”, apesar do regime militar vigorar de 1964 a 1985 Com mais calma analisaremos alguns casos, em outras oportunidades. A não ser o aumento do número de vítimas, os dois livros são muito semelhantes. Apenas, foram oficializados pelo governo, apesar de tendenciosos e tiveram o patrocínio de estatais. O primeiro não sabemos quem patrocinou.O patrocínio é de somenos importância, a não ser que estejamos em um país sério com governo probo, o que não é o caso. Temos a convicção de que essas mentiras não têm o poder de causar mossas aos que combateram esses criminosos esquerdistas do tempo da luta armada, por não terem substância em uma Justiça minimamente justa.O problema, entretanto, é a veiculação, farta e criminosa, dessas falácias entre a juventude, essa mesma parcela da sociedade brasileira que, outrora, foi cooptada para servir de “bucha de canhão” para esses assassinos covardes.“Corrompa a juventude e dê-lhes liberdades sexuais” é uma das máximas de Lênin para a tomada do poder. Eles não se esqueceram das lições de seus próceres. Ainda pior é que fazem isso sob o beneplácito desse desgoverno que aí está.


Nota: Assumimos junto ao autor as iluminações a cores ou negrito, para que fiquem bem gravadas na memória dos leitores.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

VÍTIMAS DA DESIGUALDADE SOCIAL ...


















SOB A PROTEÇÃODA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS.
AFINAL SÃO PRODUTO DA CONVIVÊNCIA COM TERRORISTAS, SUBVERSIVOS E GUERRILHEIROS, NOS PRESIDIOS DE SP E RJ.
COITADINHOS!!!!! ENQUANTO ISSO NO SENADO TOC TOC TOC



Preservado o autor.

Ameaças, Não!

CLUBE DE AERONÁUTICA
Nota aos Associados – 31/08/07
Ameaças, Não!
Neste momento delicado, desmandos, corrupção e incompetência governamentais agridem a sociedade válida do País em verdadeira dança macabra que parece não ter mais fim.
Além do vergonhoso "mensalão"; da dramática descordenação das atividades de Aviação Civil; das denúncias de venda de sentenças e dos "cochichos" eletrônicos praticados por ministros das mais altas cortes; e outros tantos desatinos, surge, agora, sob a égide da própria Presidência da República, o lançamento, pela Secretaria de Direitos Humanos, com dinheiro público, de um livro de memórias com visão unilateral, sobre acontecimentos do último período de governo sério do País (15/04/1964 a 15/03/1985).
Com esse ato de verdadeiro revanchismo institucional, o Presidente acaba desempenhando o papel de incendiário de si mesmo, como se não bastassem todas as iniqüidades praticadas sob sua responsabilidade, como Chefe do Governo Federal.
Tal fato suscitou um infeliz pronunciamento do Ministro da Defesa que, mais uma vez, adota um tom truculento e desrespeitoso em relação aos Comandantes Militares, explicitando infantis ameaças àqueles que ousassem questionar a referida iniciativa do Governo Federal, com isso demonstrando despreparo e falta de maturidade para dirigir uma instituição de elite, como as Forças Armadas Brasileiras.
Em respeito aos elevados interesses nacionais e, em nome de suas tradições centenárias, as Forças Armadas, estou certo, não se deixarão vilipendiar por quem quer que seja.
Ten.-Brig.-Ar Ivan Frota
Presidente


Credito:Roma33, 2/9/2007

FORÇAS ARMADAS: HOJE E SEMPRE

Por Antonio Augusto Castello Costa
Nenhuma outra instituição, ao longo da história brasileira, foi tão firme e constante no cumprimento de suas finalidades e na formação da unidade nacional quanto as Forças Armadas. De todas, tem sido a mais discreta e inteiramente voltada aos seus deveres. Nem os extremos ideológicos, nem os mais radicais adversários da Revolução de 64 têm encontrado motivos para criticar o comportamento das três armas nesta quadra da vida nacional.
Com recursos escassos, soldos baixos e exigências cada vez maiores cumprem os seus deveres. São o exemplo maior de respeito a Lei e reverência a nossa Constituição. O povo sabe, vê e reconhece nos militares a garantia da mão honrada e forte em que pode confiar.
O livreto organizado por uma assessoria presidencial não se sustenta nem pelo conteúdo nem pela malícia das intenções. É uma publicação irresponsável.
O lamentável é ter sido promovida e lançada numa obtusa solenidade. Discursos inflamados, proclamações surradas eram de se esperar dos protagonistas da "festinha". Menos de um: do Ministro da Defesa.
Há famas que se alastram a toa. Pouco as justifica. O "conto do saber, da inteligência e da cultura" vem enganado largas fatias da opinião pública. Apenas a pose e a arrogância do suposto sábio revelam que o próprio se tem em alta conta.
Daí a perder o senso e a noção de suas responsabilidades vai uma enorme distância.
Seria recomendável que Ministros de certas áreas, como a da Defesa, por exemplo, antes meditassem sobre a honra e a oportunidade ímpar de colocar-se a serviço da Pátria e do seu povo. O titular da Defesa tem sob o seu comando tradição, história, homens e mulheres com a vocação, o treinamento e as habilidades inteiramente voltados para essa missão.
De qualquer modo, bons ou não, os ministros passam, mas a missão do Exército, da Marinha e da Aeronáutica é perene. Elas são a garantia efetiva da nossa soberania e da integridade de valores que a justificam ontem, hoje e para o futuro que todos almejamos.

Matéria publicada, hoje, 16/09/2007, no site www.averdadesufocada.com

COVIL DE VIADOS E PROSTITUTAS -Palavras de um comuna arrependido

16/09/2007 08:10 http://fotolog.terra.com.br/navprog:1648
Palavras de um comuna arrependido.
"Um outro fator a influenciar minha decisão de sair foi quando, numa reunião do "Comando Zonal Sul - RS", discutia-se o caso de um militante recém "ampliado" que, por força de nosso apoio tornara-se Presidente de um importante Centro Acadêmico e dava mostras de "fraqueza ideológica" e independência de pensamento. Passou-se a discutir se num processo revolucionário aberto, que estava em preparação, alguém teria coragem de matar um "companheiro" ou ao menos dar a ordem para isto. Eu disse que teria coragem de dar a ordem. No momento, até a mim mesmo pareceu uma bravata, mas, mais tarde, pensando comigo mesmo fiquei horrorizado com a possibilidade de chegar a um ponto em que isto se tornaria inevitável: numa situação plenamente revolucionária pode chegar o momento do "ou ele ou eu". Isto aconteceu em final de 1967; logo em janeiro de 1968 fomos informados das preparações para a "luta armada contra a ditadura". Era a hora de dar o fora, o que fiz não sem sofrer ameaças por parte de meus antigos "companheiros". Anos depois, ao re-encontrar a esposa de um antigo "companheiro", ela me contou que o mesmo tinha passado para a clandestinidade tornando-se um revolucionário profissional. Ela o acompanhara até o momento em que ele lhe mostrou a "necessidade revolucionária" de estar disponível para satisfazer sexualmente outros militantes clandestinos que não tinham como fazê-lo sem risco, fora da organização. Profundamente decepcionada ela o abandonara e voltara para sua cidade e sua família. Mas não pensem os leitores que isto é uma exceção: *é a regra!* *** O estranho em tudo isto é que a esquerda vocifera com tremendo estardalhaço a necessidade de serem abertos os "arquivos da ditadura". Apesar de estarem no poder e terem autoridade para obrigar os Comandos Militares a abri-los, apenas seguem vociferando. Conheço inúmeros militares que desejam ardentemente que estes documentos sejam abertos, mas não podem fazê-lo sem ordem superior. Um deles, o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, vem tentando inutilmente discutir os fatos ocorridos naqueles tempos e não rejeita ser acusado; o que pede - e é de seu pleno direito - são provas e não boatos, fofocas, meros testemunhos sussurrados nas universidades, nas redações e nas reuniões sociais do *jet set*! Porém, parece que a intenção da esquerda é julgá-lo *a priori*, antes de ser condenado, só porque pertenceu à odiada "comunidade de informações". Quem teme a abertura que tanto pedem *by lip service* são os que construíram esta mentira em toda a América Latina; temem que as novas gerações descubram que foram seus atos terrorista que levaram à auto-defesa dos governos militares das décadas de 60-70, e não ao contrário. Os soldados brasileiros não têm de que se envergonhar. Comemorem o seu dia! Nota do autor: Este artigo é uma versão revisada e ampliada de outro já publicado aqui (Desfazendo alguns mitos sobre 64). " Outro fator semelhante aconteceu na guerrilha do Araguaia. O Relatório Arroyo apresenta um suposto “traidor” do PC do B, Paulo Paquetá, na verdade o médico João Carlos Campos Wisnesky, mas que anda fugindo até os dias de hoje com receio de ser justiçado. Foi um elemento de grande valor para a guerrilha, responsável por levar muitos estudantes para lá, “moçoilas sonhadoiras”, inclusive seu grande amor, a Rosa. Outro candidato ao justiçamento, portanto, como foi jurado pelo Velho Mário em seu Diário. Em entrevista à revista VEJA e, principalmente em desabafos feitos após tomar umas e outras nos bares com amigos, Paquetá revelou muita coisa importante. Foi sempre humilhado, desprestigiado pelos chefes da guerrilha por ter personalidade e querer realmente combater. Tem feito revelações valiosas, uma vez que era atento observador e muito bem relacionado com as moças, mormente com as que convenceu a irem para a guerrilha. Além de, como médico, ser muito instruído e perspicaz observador da alma feminina, principalmente naquele fim de mundo.

Heitor de Paola é escritor e comentarista político, membro da *International Psychoanalytical Association e ex-Clinical Consultant, Boyer House Foundation*, Berkeley, Califórnia, Membro do *Board of Directors* da *Drug Watch International, e Diretor Cultural do Farol da Democracia Representativa (www.faroldademocracia.org) .* Possui trabalhos nas áreas de psicanálise e comentários políticos publicados no Brasil e exterior.
E é ex-militante da organização comunista clandestina,Ação Popular (AP). Ele confirmará facilmente o que sempre tenho afirmado: comunista tem merda na cabeça.
Lício Maciel

Em 17/09/2007, às 00:50:26, Cabore l disse: O comunista é um ser desprezível, que se utiliza da democracia para tramar contra ela. Elege-se como defensor dos oprimidos, e governam como nababos, transforma os pobres em escravos de míseros reais, enquanto manipula milhões. De uma porta de fabrica e um apartamento emprestado, adquirem mansões que em 50 anos de trabalho honesto não comprariam sequer o terreno. O comunistas são obcecados por números: 40 ladrões; 40 aloprado; 40 votos de 40 corruptos. Trabalhador vota em “trabalhador” e se acham eleitores, não sabem que são apenas “companheiros de viagem”, ver caso Lula, corruptos voltam em corruptos ver caso Renan. Coincidência ou não, a maioria que absolveu Renam tem processo de corrupção no STF.
Cabore

IMPUNIDADE

Produzido pelo Ternuma Regional Brasília

Pelo Gen Div Murillo Neves Tavares da Silva


Regressei a Brasília, depois de vinte e cinco dias de viagem, dos quais vinte e dois no exterior, sem estar perfeitamente atualizado com o caso do Renan Calheiros. Nem sempre se consegue acesso à Internet. Jornais do Brasil, nem pensar. Ao sair, em meados de agosto, as tratativas para condenar e absolver, apresentavam, a cada dia, os prós e os contras, as evidências e as suposições, as perícias e os laudos. Tudo muito repetitivo, tudo com frases estudadas, tudo tramado em gabinetes e palácios. Tudo à revelia do povo, que elege e se frustra. Mas que torna a eleger e a se frustrar. Tudo como soe acontecer em situações semelhantes. Às vésperas do julgamento já estava em casa e procurei me atualizar, com jornais antigos, com a Internet, com telefonemas de e para amigos. No dia do julgamento, nem me preocupei em acompanhar, porque tinha quase certeza de que nada aconteceria ao senador indiciado pelo Conselho de Ética de sua casa parlamentar. E foi o que ocorreu.

Se eu, que não sou comentarista político, nem faço cobertura jornalística do Congresso, esperava a absolvição, por que ficaram tão admirados e surpreendidos os que por dever de ofício deviam estar informados? Manchetes, como a do Correio Braziliense (Vergonha Nacional), revelavam um espanto injustificado, pelo menos para mim. No país em que uma plataforma de petróleo de muitos bilhões de dólares vai ao fundo do mar e ninguém é responsável; no país em que parte vital de uma moderna base de lançamento de foguetes explode e ninguém é responsável; no país em que aviões se acidentam, matando centenas de pessoas e infelicitando outros milhares e não se consegue identificar os responsáveis; no país em que o Ministro da Fazenda e auxiliares de primeiro escalão violam ou mandam violar sigilo bancário de modesto caseiro e ninguém vai preso; no país em que quarenta pessoas são indiciadas por corrupção pelo Procurador Geral da República (pessoa da mais alta respeitabilidade e integridade funcional) e juristas dizem que ninguém será condenado por causa das prescrições legais; no país em que pessoas são detidas com vultosa quantia, num hotel de São Paulo, tramando uma possível corrupção eleitoral e não se sabe de onde veio o dinheiro e nem se haverá qualquer conseqüência para os envolvidos, todos muito chegados ao palácio presidencial e simplesmente arrolados como “aloprados” pelo próprio Presidente da República; no país em que a Câmara de Deputados já havia absolvido muitos de seus membros que teriam recebido dinheiro escuso, batizado de mensalão, sem maiores reações populares; no país em que um magistrado da mais alta corte de justiça confessa ter fraudado dispositivos da Constituição em elaboração, quando era deputado constituinte, e, além de nada sofrer, ainda é nomeado Ministro da Defesa ( e um ministro ameaçador...); como é possível surpresa e revolta só porque um senador fez uma filha fora do casamento e pagou sua pensão por meio de um grande amigo que, por “infeliz circunstância”, é funcionário de uma empreiteira. Se fosse de uma revendedora de veículos, poderia? Se fosse de uma rede de drogarias, poderia? Se fosse de um desses grandes bancos que, a cada semestre, aumentam seus fabulosos lucros e ninguém se mete com as tarifas que cobram, poderia? Se fosse um dirigente do PT, poderia? Ou seria chamado, também, de aloprado?

Ora, minha gente, com diria aquele outro que foi cassado, deixemos de hipocrisia. O senador Calheiros não fez nada de errado. Se tivesse feito, não seria possível ter sua defesa coordenada pelo ex-Presidente da República José Sarney, sempre à sombra como é de seu feitio. Nem muito menos direito à comemoração em casa da senadora Roseana Sarney, que sabe bem o preço da injustiça, porque passou por maus momentos quando acharam aqueles milhares de reais em escritório de seu marido e publicaram na capa da Veja, destruindo sua candidatura à presidência, que vinha embalada. O senador Calheiros não fez nada errado, tanto que o Presidente Lula, que nunca sabe coisa alguma, agora sabia que não houve injustiça no caso. O senador Calheiros não fez nada errado, tanto que requisitou um avião da gloriosa Força Aérea Brasileira para levá-lo com sua esposa a um lugar incerto e não sabido, para um merecido repouso, depois de tantas calúnias. O senador Calheiros não fez nada errado, apenas é vítima dessa imprensa calhorda que desinforma a população, a mando das elites, como tantas vezes já acusaram o ínclito ex-ministro e, hoje, deputado cassado José Dirceu (em busca de reabilitação; e alguém duvida que não vai conseguir ?) e outros menos votados. Como diria o professor e dublê de filósofo goiano Delúbio Soares, essa estória da Mônica ainda vai ser refrão de marchinha carnavalesca, como o mensalão. Onde, então, a vergonha nacional ?

Brasília, DF, 16 de setembro de 2007.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Mais de mil palhaços




Jornal do Brasil, 06 de setembro de 2007
Olavo de Carvalho
Desculpem insistir no assunto, mas é preciso documentar o episódio antes que a passagem do tempo o torne retroativamente inacreditável.
O senhor Quartim de Moraes tornou-se o Rei dos Palhaços ao mobilizar mais de mil foliões comunistas para defendê-lo contra uma "mentira deslavada" (sic) espalhada por ele mesmo. Querendo posar de herói da guerrilha perante uma platéia da Unicamp, alardeou que fora condenado à prisão pelo assassinato do capitão americano Charles Rodney Chandler em 1968. Quando repassei a informação a um público mais vasto, que poderia não ver o homicídio com bons olhos, mais que depressa o espertinho saiu choramingando que era tudo uma calúnia, que ele não havia sido condenado por isso, mas por algo de menos truculento.
Todos os Comitês Centrais disponíveis correram em auxílio da infeliz vítima da "mídia fascista". Produziram a toque de caixa um "manifesto de intelectuais" (o gênero literário mais cultivado nesse meio), com apoio internacional e as assinaturas de mais de mil professores universitários, acusando-me, em português hediondo, de ser um joão-ninguém sem força nenhuma e de ser um temível agente a soldo do imperialismo (você decide).
Como esses fulanos têm o dom de ficar valentes tão logo percebem que estão em mais de 500 contra um, o entusiasmo belicoso da patota foi crescendo com o número de adesões, multiplicando-se em ameaças apocalípticas: fazer em picadinho a minha reputação, botar-me na cadeia, o diabo.
Quando divulguei a fonte da informação, de repente a onda guerreira arrefeceu. O vozerio baixou, o inchaço de assinaturas parou de crescer, o manifesto sumiu das manchetes dos sites do PCdoB e do PT, buscando discreto refúgio nas páginas internas.
É uma lástima. Quantas penas de amor perdidas, quanta vela queimada por um defunto chinfrim, para tudo acabar num punhado de cinzas varrido às pressas para baixo do tapete.
O autodesmentido do palhaço Quartim, camuflado de resposta indignada a acusações caluniosas, não melhora em nada a sua biografia real. Se ele não foi condenado como autor de homicídio, foi condenado como dirigente da entidade terrorista que constituiu ilegalmente o tribunal assassino e lhe deu força para executar sua sentença macabra. Organizações terroristas existem, por definição, para matar pessoas.
A desculpa de que foram forçadas à violência pela ditadura é porca e mentirosa como tudo o que sai da boca de comunistas. A guerrilha, iniciada em 1963 sob as ordens de Fidel Castro e a ajuda cúmplice do próprio João Goulart, não foi efeito do golpe de 1964: foi uma de suas causas. E os terroristas nunca lutaram pela democracia, e sim para instalar aqui uma ditadura igual àquela que as comandava, protegia e financiava, mil vezes mais cruel que a dos militares locais. Todos os comunistas sabem disso, e na intimidade riem dos tolos burgueses que acreditam na desculpa "democrática".
Para mim, o manifesto serviu ao menos para recordar uma vez mais a extensão da rede de contatos internacionais do comunismo brasileiro - o Comintern sem nome, ativo hoje como nos tempos de Stálin, bons tempos segundo Quartim - e avaliar o volume de recursos de que essa gente dispõe para mobilizar contra qualquer inimigo isolado, pobre, e ainda chamá-lo de agente pago do capital. A desproporção seria cômica, se não tivesse, ao longo das décadas, ajudado os comunistas a matar mais gente do que todos os terremotos e epidemias do século 20, somados a duas guerras mundiais.

Olavo de Carvalho é jornalista, escritor, filósofo e editor do Mídia Sem Máscara